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INFORMAÇÃO SUMÁRIA

 

Padroeira: Santa Maria.

Habitantes: 239 habitantes (I.N.E. 2011) e 395 eleitores em 05-06-2011.

Sectores laborais: Agricultura, pecuária e apicultura.

Tradições festivas: Senhora dos Milagres (em 29 de Junho), S. Bento (11 de Julho), Senhora da Vista (1º domingo de Agosto), Senhora do Socorro (1 º domingo de Julho) e Senhora do Alívio (último domingo de Agosto).

Valores Patrimoniais e aspectos turísticos: Mosteiro de Fiães, Margens do rio Trancoso e monte da Privada.

Gastronomia: Presunto curado e enchidos de porco.

 

 

ASPECTOS GEOGRÁFICOS 

 
Fiães dista sete quilómetros da sede do concelho. Confronta com Cristoval e Paços, a norte, o rio Trancoso (Espanha na outra margem), a nascente, Lamas de Mouro, a sul, e Roussas, a poente. Fiães ocupa uma área de 1185 hectares.
Compreende os seguintes lugares principais: Vila do Conde, Candosa, Ladronqueira, Ferreiro, Jugaria, Soutomendo de Baixo e Soutomendo de Cima, Pousafoles, Adedela, Faval, Balsada, Portocarreiro, Quingosta, À­da-Velha, Fulão, Ervedal e Alcobaça.
 
 
 
A antiga freguesia de Santa Maria de Fiães era curato da apresentação do convento de Fiães, cujo abade era pároco titular. Pertencia ao cabido do couto de Valadares, passando, mais tarde, a reitoria.
Em 1839, Fiães aparece registada na comarca de Monção. Em 1878 está já na de Melgaço.
São diversas as teorias sobre as origens do topónimo. O Pe. Aníbal Rodrigues avança três: de feno, terreno onde se produzia muito feno; de Fidelanis, gente de muita fé; ou de ‘terra de fiandeiras ou fiandeiros”, cultivadores de linho e tecelões de teares caseiros.
Pinho Leal, por seu lado, defende que Fian, Fiãa, Fiaam, Ffia, Sfiãa e Fiada é tudo o mesmo (no português arcaico) e significa vaso de barro chato e redondo, a que depois se chamou almofia. Servia antigamente para pagar certa medida de cereais e também de manteiga. Dezasseis fiães faziam um alqueire.
Ainda segundo este autor, é provável que aqui se pagasse este foro, pelo que então se diria terra de Fiães (ou que paga fiães). Ou que houvesse aqui oleiros que fabricassem fians. Afian (em latim fiala) era quase da forma de um alguidar e levava dois quartilhos.
Houve aqui um importante convento de frades beneditinos, antiquíssimo. São bastante confusos os seus primórdios: frei António da Purificação pretende que remonte ao ano de 870, logo ocupado pelos eremitas de Santo Agostinho, que aqui ficariam até se integrarem na regra cisterciense; os beneditinos contestam esta opinião e, pela pena de frei Leão de S. Tomás, avocam-se tal prioridade, dando-no como fundado em 889; finalmente, o Pe. Carvalho da Costa, indo mais longe, afir­ma que aparecem notícias sobre a casa já no ano de 851 (no tempo de D. Ramiro II, de Leão, e de sua mulher, D. Patema).
Não há dúvidas, no entanto, que já era couto antes da fundação da nacionalidade, pois D. Afonso Henriques confirmou-lhe esse privilégio em 1173 e isentou os seus moradores de pegarem em armas e de servirem em quaisquer obras de fortificação, excepto “em uma quadrilha de dezoito braços nos muros de Melgaço”.
Os reis seguintes mantiveram e, em muitos casos, aumentaram estas mercês.
Em 1730, as autoridades militares ordenaram um recrutamento no couto. Imediatamente o abade recorreu para o general comandante da praça de Valença, sendo atendido. Como, anos depois, nova tentativa se fizesse, D. João V recomendou a anulação dessa diligência.
Constava que era o mosteiro mais rico das Espanhas. Recebeu valiosas doações.
Tinha muitos bens e casais e grande número de coutos. Possuía foros no Minho, Trás-os-Montes e Galiza, chegando a dispor de vinte abadias. “Desta forma, podia manter oitenta frades de missa, além dos conversos” (Lionído de Abreu, em “Silva Minhota”). Nesses tempos, quando se pretendia definir a sua grandeza, dizia-se que, “depois de el-rei, não há senhor tão poderoso como o Dom Abade de Fiães”.
A setecentos metros de altitude, num sítio ermo e recolhido, a igreja do convento é, ainda hoje, a paroquial de Fiães. De raiz românica, sofreu muitas alterações. É flanqueada por uma torre sineira quadrangular. De fachada baixa e reforçada por quatro contrafortes, merecem destaque o recorte simples do portal, levemente ogival, e três nichos com imagens que o encimam. Possui, no seu interior, encostados à sua parede sul, alguns túmulos de cavaleiros-guerreiros, em pedra e ostentando as respectivas armas. Tem ainda um interessante conjunto de imagens (do século XVI até aos séculos XVII e XVIII).
Indica-nos Pinho Leal que “A 1.500 metros de Fiães, se eleva majestosa a Serra de Pernidelo, donde a vista se estende por um vastíssimo e formoso panorama. Ao sopé desta serra se estende, numa distância de 6 km, a verde e fértil veiga de Melgaço. Do alto da serra (em dia de céu limpo) vê-se grande parte das povoações galegas, e a cidade de Orense, a 40 km...”
 
 

 


 
 
DOAÇÃO DE AFONSO PAIS E OUTROS AO MOSTEIRO DE FIÃES EM 1157.
(por Bernardo Pintor)
 
No extremo norte de Portugal, a raiar com Espanha, assenta a velha Freguesia de Fiães na encosta do Pomedelo ou Pernidelo.     
Do seu antiquíssimo e célebre Mosteiro, sobranceiro à vila de Melgaço, resta a Igreja Paroquial em estado muito precário de conservação e um montão de minas, entre as quais, para cúmulo de desgraça (ó Céus! . . .) se construíram há anos currais de gado. 
Não vou hoje historiar o passado glorioso desse importantíssimos Mosteiro de Beneditinos que cedo receberam a reforma de Cister, mas apenas dar a conhecer o documento que traçou os limites que a freguesia ainda conserva passados quase oito séculos.
Afirma-se que o Mosteiro foi fundado pelo ano de 851 e depois arruinado. Ao certo não consegui saber ainda da sua origem.
Sabe-se de certeza que ele floresceu no século XII, sendio atribuída à generosidade de Afonso Pais a sua restauração. De facto quem folhear o livro das datas do referido Mosteiro, existente no Arquivo Distrital de Braga, encontra muitas doações feitas pelo benemérito Afonso Pais.
Há porém um documento importante para a História do Mosteiro de Fiães que não encontrei no dito livro das datas.
As minhas mãos veio uma cópia antiga.  Trata-se da doação ao Mosteiro do território que constitui a freguesia actual e que foi couto noutras eras. Nas Inquirições de Afonso III alegaram o D. Abade, os frades e o sacristão que o Mosteiro tinha couto delimitado por padrões (marcos de pedra) e que o tinham por doação de fidalgos, mas sem carta de EI-Rei.
Com a fotogravura do pergaminho em questão, apresento aos leitores a sua leitura corrente e tradução. (ou seja apresenta-se a tradução desse documento que está acompanhado de uma fotogravura)
 
 TRADUÇÃO:  «No início tem o monograma usual xpistus=Cristo) Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e em honra da beata  Maria sempre Virgem e de todos os santos. Eu Afonso Pais juntamente  com meus irmãos e minhas irmãs Pedro Pais, Egas Pais, Fernando Pais, Garcia Pais, Gudina Pais, Hónega Pais, Mór Pais, Maria Pais, Hónega Mendes, Mor Mendes. Eu Oroana com meus filhos Pedro Nunes, João Gomes, Álvaro Sarracines juntamente com meus irmãos e minhas irmãs. Eu Pedro Peres juntamente com meus irmãos. Eu Nuno Dias juntamente com meus irmãos e minhas irmãs. Eu Rodrigo Goterres com meus irmãos. Eu Fernão Ventre com meus irmãos. Gonçalo Peres com seus irmãos. Fernando Nunes com seus irmãos, Pedro Soares com seus irmãos, Fernando Nunes com seus irmãos, Pedro Nunes com seus irmãos. Fazemos documento de segurança daquele monte que se chama Fenais, que nós resolvemos por vontade própria doar aos servos de Deus, Abade João e sua congregação, tanto aos presentes como nos que depois deles vierem e aí perseverarem na santa vida beneditina ; possuam no para sempre por direito de herança por nossa doação, pelas nossas almas e pelas almas de nossos pais, porque é breve a nossa vida. Estabelecemos lhe limites a principiar em Penha de Ervilha, depois por Costa Má, até Curro de Loba, partindo pelo rio Doma pelo vale Gaão, depois pelo outeiro da Aveleira, a seguir pelo coto da Aguieira e depois desde o Vidual até Penha de Ervilha e fechou. Nós acima nomeados damos esta herança para exercer o culto de Deus enquanto houver um homem que o faça. Se for retirada do culto de Deus cada um receba o seu quinhão. Se vier alguém ou viermos nós, tanto da nossa família como de estranhos, que queira violar esta nossa doação, seja excomungado e condenado perpetuamente como Judas traidor do Senhor.
Por estes limites que mencionamos concedemos (o monte) aquele Mosteiro que esta situado no referido monte de Santa Maria. Nenhuma autoridade nem homem algum se atreva a arrotear ou lavrar (neste monte) sem ordem dos mesmos frades. Eis a pena que nós estabelecemos e outorgamos: restima a mesma herança em dobro ou com suas melhorias e dois mil soldos para a Congregação. Reinando em Portugal o Rei Afonso com sua mulher a Rainha Mafalda. Vigário particular do Rei Gonçalo de Sousa. Na Sé de Tui o Bispo Isidoro. Senhor de Valadares Sueiro Aires.  Era de 1195 no dia que é 14° das calendas de Setembro (19 de Agosto de 1157). Nós como acima dissemos a vós Abade João com vossos Frades nesta escritura de segurança por nossas mãos roboramos.  
Como testemunhas Sueiro, João, Pedro, Fernando, Munho. Pelo notário Pedro».         
                            
A tradição é livre, porquanto há expressões más de traduzir à letra e o latim é defeituosíssimo.
Da expressão mons fenales, Montes Fenais (que produzem feno) deve vir a palavra Fiães, embora se pretenda que ela vem de Fiam, medida antiga.                        
Os limites traçados neste documento são os actuais. Penha de Ervilha redundou em Par d’Ervilha. (Par é contracção de pera, pedra).                      
" Curro de loba, é hoje de Lobo. O rio Doma que aparece várias vezes no livro das datas chamou-se depois Várzea e hoje  tem o nome de Trancoso. Frente a S. Gregório ainda há na Galiza Puente Barjas, Ponte das Várzeas. Vale Gaão deve ser o  monte Gonle perto de Pousafoles.
Os restantes nomes ainda existem.
 
Riba de Mouro (Monção). 26-6-47
 
Bernardo Pintor
 
 
 

 


 
 
Inventário do Património Arquitectónico
Informações detalhadas acerca de:
 
► Igreja de Fiães / Igreja de Santo André
► Capela da Senhora do Alívio

 
Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Freguesias- Autarcas do Séc. XXI, Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal, Inventário do Património Arquitectónico.
 

 

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